Os três edifícios conhecidos popularmente como Trigêmeos da Praia do Flamengo, um conjunto art déco de frente para a Baía de Guanabara, devem voltar ao mercado imobiliário carioca em breve, desta vez como residenciais de alto padrão. Arrematados em leilão em 2023 pela incorporadora Performance em parceria com o banco BTG Pactual, os prédios passarão por um amplo projeto de retrofit antes do lançamento comercial das unidades, que deve ocorrer já em maio.
Os edifícios Anchieta, Barth e Nóbrega foram construídos na década de 1940 e durante décadas pertenceram à Santa Casa de Misericórdia. O conjunto, projetado pelo arquiteto Robert Prentice e doado pelo empresário Alberto Barth à instituição, chama atenção até hoje pelas linhas decorativas, varandas amplas e pela implantação com ruas internas e garagens no subsolo.
Somados, os três blocos reúnem 174 unidades residenciais. Segundo informações obtidas pelo DIÁRIO DO RIO, o projeto prevê apartamentos familiares de dois, três e quatro quartos. A avaliação da empresa é de que o perfil do bairro favorece mais a moradia do que a compra para investimento, diferentemente de regiões com maior presença de aluguel de curta duração.
Leilão para pagar dívidas trabalhistas
O conjunto acabou incluído em uma lista de bens destinados à quitação de dívidas trabalhistas da Santa Casa. A determinação partiu da Justiça do Trabalho, que autorizou o leilão dos imóveis para ajudar a liquidar passivos da instituição, estimados em cerca de R$ 130 milhões.
Em 2023, os três edifícios foram arrematados pela Performance e pelo BTG por R$ 75 milhões. Com correções posteriores, o valor da aquisição gira hoje em torno de R$ 80 milhões.
Antes da venda, todos os ocupantes dos prédios foram retirados após uma longa batalha na Justiça. Durante anos, moradores afirmaram ter adquirido unidades por meio de intermediários que diziam representar a Santa Casa, versão sempre contestada pela instituição.
Documentos obtidos pelo DIÁRIO DO RIO na época indicavam negociações de apartamentos de frente para o mar por valores entre R$ 50 mil e R$ 260 mil, muito abaixo do praticado no mercado, principalmente, no perímetro da orla do Flamengo. Nenhum dos contratos estava assinado por representantes formais da Santa Casa. A instituição afirmou que as ocupações eram irregulares e que a posse precisava ser retomada para permitir a venda dos imóveis e o pagamento das dívidas.