Após encerrar o ano de 2025 com resgates líquidos na ordem de R$ 63 bilhões, a poupança dá sequência no movimento em 2026. Apenas nos 6 primeiros meses, foram novos R$ 30,6 bilhões em resgates líquidos, mantendo uma das principais fontes históricas de recursos para financiamentos para o setor imobiliário sob pressão. Bem verdade que os efeitos gerais no mercado de financiamento habitacional têm sido limitados, muito em função da absorção de parte relevante da demanda por programas habitacionais, como o Minha Casa Minha Vida, que utiliza o FGTS como fonte de recursos. A leitura da PNAD Contínua trouxe um desemprego de 5,6% no trimestre até maio, menor taxa para o período. Com um volume resiliente de empregos formais no Brasil, a captação do FGTS tem se mantido em patamares elevados, proporcionando acesso a uma maior quantidade de famílias à programas habitacionais, bem como robustecendo a fonte de recursos. Com uma grande representatividade dos financiamentos pelo Minha Casa Minha Vida no universo do crédito imobiliário, as taxas médias praticadas junto ao público PF foram de 11,2% na leitura de maio. Mas, quando consideramos apenas operações de funding bancário, essa taxa média é de 14,3%, patamar de baixo incentivo à financiamentos de longuíssimo prazo, como ocorre no setor imobiliário.
Ainda assim, a demanda por novas unidades se mantém elevada. Conforme dados da Abrainc, o segmento de médio e alto padrão, mais dependente de taxas de mercado, apresenta um ritmo acumulado de vendas anuais constantemente acima do volume de lançamentos na mesma janela desde dezembro de 2022, o que tem levado os estoques de novas unidades para as mínimas dos últimos 5 anos. A demanda pelas novas unidades do segmento econômico, enquadradas em programas habitacionais, também tem se mostrado elevada, mas aqui as incorporadoras tem encontrado maior segurança para intensificar lançamentos, o que tem puxado a maior parte da atividade do setor pelo Brasil. Ainda sob a ótica de emprego, segundo dados do CAGED, o setor de construção foi responsável por quase 10% do total de empregos formais líquidos gerados no país nos últimos 12 meses, incrementando sua representatividade na economia doméstica.
Esse conjunto de fatores vem acompanhado de outros desafios, como a aceleração dos preços de materiais de construção após os choques de preço do petróleo no mercado internacional, com reflexos em importantes insumos da cadeia, que em conjunto com os custos de mão de obra para o setor, tem mantido constantemente o acumulado anual do INCC-M em níveis acima da inflação ao consumidor medida pelo IPCA desde julho de 2024.
Nesse relatório setorial, analisamos esses indicadores individualmente, bem como dados de confiança e expectativas para o setor, além do movimentos de mercado ao longo do mês de junho.
Destaques desta edição:
Dados de Confiança
Confiança da Construção (ICST) recua em junho, em movimento acompanhado pelos demais de indicadores do estudo.
Indicadores de Atividade
Conjunto de indicadores da Sondagem da Indústria da Construção apresenta melhora na leitura recente tanto no nível de atividade como na expectativa para os próximos meses.
Fontes de Recursos e Novas Contratações
Poupança interrompe sequência de 2 meses com captação positiva e registra saques líquidos de R$ 1,4 bilhão em junho.
Dados de Crédito e de Emprego
Setor de construção permanece expandindo sua representatividade na economia formal doméstica, enquanto as taxas médias de juros para crédito imobiliário ainda não mostram reflexos do recente corte na Selic.
Índice de preços
INCC-M desacelera para 6,71% nos últimos 12 meses (6,82% na leitura anterior), com tendências mistas entre os componentes mão de obra e materiais.
Dados de Mercado – Construção Civil
O índice setorial Imobiliário da B3 (IMOB) avançou 1,8% no mês de junho, interrompendo três meses consecutivos no campo negativo, e superando a performance do Ibovespa no período (-1,0%).