A aprovação do projeto Praça Onze Maravilha pela Câmara do Rio abriu caminho para um novo modelo de incentivo urbanístico que promete mexer com o mercado imobiliário carioca nos próximos anos. O texto prevê que empresários que investirem na revitalização da região da Praça Onze poderão receber bônus urbanísticos para aplicar em empreendimentos em outros bairros da cidade, principalmente na Zona Sul e na Zona Norte.
O mecanismo funciona por meio das chamadas “operações interligadas”, instrumento já usado no programa Reviver Centro. Quem fizer aportes ou empreendimentos na área contemplada pelo projeto poderá obter potencial construtivo adicional para usar em áreas consideradas “receptoras” pelo município. O texto aprovado, porém, reduziu os estímulos para construções na Zona Sul e ampliou incentivos voltados para bairros da Zona Norte, numa tentativa de equilibrar o desenvolvimento urbano da cidade.
Segundo o presidente do Sinduscon-Rio, Cláudio Hermolin, o modelo anterior acabou concentrando investimentos em bairros mais valorizados da cidade. “No Reviver Centro, como as regras eram iguais para toda a cidade, as contrapartidas foram usadas apenas em projetos nos bairros de Copacabana e Ipanema/Lagoa, sem qualquer investimento novo na Zona Norte” afirmou.
Mudança tenta estimular ocupação da Zona Norte
Outro ponto incluído no texto aprovado busca frear a explosão de estúdios e apartamentos compactos em áreas nobres da cidade. As emendas aprovadas reduziram os incentivos para esse tipo de unidade, enquanto tentam estimular imóveis maiores e projetos residenciais em bairros da Zona Norte que perderam moradores nos últimos anos, apesar da infraestrutura consolidada.
Segundo o secretário municipal de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento, Gustavo Guerrante, a prefeitura ainda precisará detalhar os projetos executivos antes do início das intervenções. “As obras de reurbanização no entorno do Catumbi devem começar em 2027 para preparar a região para a demolição do elevado, o que deve ocorrer somente em 2028” disse.
O custo total das intervenções previstas para a região é estimado em cerca de R$ 1,7 bilhão.