Quanto é preciso ganhar para financiar um imóvel em cada bairro do Rio? Renda exigida vai de R$ 8,4 mil a quase R$ 90 mil

em Diário do Rio / Mercado Imobiliário, 17/julho

Estudo considera o preço médio dos imóveis e as condições atuais dos bancos; diferença de renda exigida entre os bairros supera R$ 80 mil.

Comprar um imóvel financiado no Rio de Janeiro continua sendo um desafio que vai muito além de encontrar o apartamento ideal. A renda exigida pelos bancos para aprovar o crédito pode variar em mais de R$ 80 mil, dependendo do bairro escolhido. Nos endereços mais valorizados da cidade, como Leblon e Jardim Botânico, o comprador precisa comprovar renda mensal próxima de R$ 90 mil. Já em regiões como Campo Grande e Taquara, é possível conseguir financiamento com renda a partir de R$ 8,4 mil.

Os dados são do Financiômetro, ferramenta desenvolvida pela Loft que calcula as condições médias para financiamento imobiliário com base no preço dos imóveis efetivamente negociados entre março e junho de 2026 e nas condições oferecidas pelos principais bancos privados.

A simulação considera um financiamento de 80% do valor do imóvel, prazo de 420 meses (35 anos) e as taxas médias atualmente praticadas por Bradesco, Itaú e Santander. Os valores servem como referência e podem variar conforme o perfil do comprador e a análise de crédito feita por cada instituição financeira.

Entre os bairros com maior volume de compra e venda de imóveis na cidade, o Leblon lidera a lista das maiores rendas exigidas, com necessidade de comprovação de R$ 89.478 por mês. Aparecem ainda Ipanema (R$ 84.281) e a Barra da Tijuca (R$ 57.533).

Na outra ponta, Campo Grande apresenta a menor renda mínima entre os bairros mais negociados, de R$ 8.404 mensais. Taquara (R$ 9.326) e Jacarepaguá (R$ 11.933) também figuram entre as regiões mais acessíveis para quem depende de financiamento.

Segundo Fábio Takahashi, gerente de dados da Loft, o mercado imobiliário carioca reúne realidades bastante distintas. “O Rio de Janeiro reúne bairros com perfis imobiliários diversos, com exigências também muito diferentes para quem busca o crédito imobiliário.”

Bairros mais valorizados exigem renda ainda maior

O levantamento também analisou os bairros com os maiores tíquetes médios da cidade. Nesse recorte, Leblon e Jardim Botânico aparecem no topo da lista, ambos com imóveis que superam, em média, R$ 2,7 milhões.

Para financiar um imóvel nesses bairros, a renda mensal mínima estimada ultrapassa R$ 89 mil. Ipanema, Lagoa e São Conrado também exigem rendimentos elevados, entre R$ 68,8 mil e R$ 84,2 mil por mês.

Queda da Selic ainda não reduziu custo do financiamento

Embora a taxa básica de juros (Selic) tenha iniciado um ciclo de queda, passando de 14,75% para 14,25% ao ano em junho, os financiamentos imobiliários ainda seguem pressionados pelos juros elevados.

Pesquisa da Loft em parceria com a Offerwise mostra que os juros considerados altos são hoje o principal motivo para desistência da compra de um imóvel, citado por 22% dos entrevistados. Outros 21% afirmam abandonar o negócio porque as parcelas ficam acima do esperado.

Segundo a empresa, as reduções na Selic costumam demorar para chegar ao crédito imobiliário, já que os bancos ajustam suas políticas de financiamento de forma gradual.

Bairros com os maiores tíquetes médios

Bairro Renda mínima Tíquete médio
Leblon R$ 89.478 R$ 2.741.662
Jardim Botânico R$ 89.012 R$ 2.727.375
Ipanema R$ 84.281 R$ 2.582.281
Lagoa R$ 78.841 R$ 2.415.433
São Conrado R$ 68.889 R$ 2.110.187
Barra da Tijuca R$ 57.533 R$ 1.761.918
Gávea R$ 53.738 R$ 1.645.516
Leme R$ 42.219 R$ 1.292.236
Itanhangá R$ 38.518 R$ 1.178.723
Humaitá R$ 38.088 R$ 1.165.512
Flamengo R$ 32.460 R$ 992.918
Botafogo R$ 30.702 R$ 938.984
Copacabana R$ 27.962 R$ 854.963
Laranjeiras R$ 27.532 R$ 841.759
Barra Olímpica R$ 26.048 R$ 796.272

Ver online: Diário do Rio / Mercado Imobiliário