O BTG Pactual está avançando no mercado imobiliário do Rio ancorado em uma leitura bem objetiva do que aconteceu com a cidade nos últimos anos. Para o banco, houve um “descolamento muito grande de preço” depois de sucessivas crises, que deixou ativos mais baratos do que em outras capitais, um cenário que, segundo o executivo Ricardo Cardoso, em entrevista à Revista Forbes, chegou a um ponto em que deixou de ser sustentável.
A entrada, no entanto, não foi imediata. O banco esperou sinais mais claros de mudança no ambiente econômico. Cardoso aponta que houve melhora institucional e mais previsibilidade recente, além de um impulso relevante no pós-pandemia. Segundo ele, o turismo voltou com força acima da média do país, e o setor de óleo e gás também retomou tração, o que começou a puxar a demanda na cidade. Esse conjunto de fatores foi o gatilho para sair da observação e partir para a execução.
Dentro desse processo de reposicionamento, o grupo passou a investir com mais força no modelo de branded residences. O movimento mais recente é o lançamento do Pura por Artefacto, com valor geral de vendas estimado em R$ 845 milhões, desenvolvido em parceria com a grife de alto padrão. A aposta dá sequência a experiências anteriores no próprio bairro, como o Oro e o Ilha Pura by Ornare, que já haviam sinalizado espaço para esse tipo de produto.
Compra com desconto, mas sem ilusão
Apesar do diagnóstico de preços deprimidos, o BTG evita tratar o movimento como uma simples oportunidade de arbitragem. Cardoso ressalta que a entrada aconteceu em um “preço mais protegido”, mas com consciência de risco. O retorno, segundo ele, depende diretamente do desempenho da economia real.
Na prática, isso significa que a tese está menos ancorada em ganho rápido e mais na captura de valor ao longo do tempo, combinando variáveis como renda, emprego e crédito. “A tese é ganhar valor ao longo do tempo”, indicou o executivo, ao destacar que não se trata de uma aposta tática de curto prazo.
Rio com menos competição
Ao comparar com outros mercados, o banco reconhece que São Paulo segue como prioridade natural pelo tamanho e liquidez. Ainda assim, o Rio passou a ocupar um espaço relevante por uma razão direta: menor competição.
Segundo Cardoso, isso abre espaço para investidores com maior capacidade de capital fazerem movimentos mais robustos. Sendo a segunda maior economia do país, mas com menos disputa em determinados ativos, a cidade permite operações que seriam mais difíceis em mercados já saturados.