Caixa puxa alta de 53% no crédito imobiliário em março, enquanto bancos privados perdem espaço

em Estadão e|investidor, 24/abril

Levantamento da Abecip analisa as linhas de financiamento que contam com recursos da poupança; veja o ranking por instituição financeira.

O crédito imobiliário avançou no começo de 2026, puxado pelo aumento nos desembolsos da Caixa Econômica Federal, de acordo com levantamento da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). Em março, os financiamentos alcançaram R$ 18,5 bilhões, alta de 56,9% em relação a fevereiro e avanço de 53,9% na comparação com o mesmo mês do ano passado. O desempenho foi o quarto melhor resultado mensal na série histórica. Com isso, o crédito atendeu 54,6 mil imóveis.

No primeiro trimestre de 2026 (1T26), os financiamentos somaram R$ 42,4 bilhões, montante 11,9% maior que o registrado no mesmo período do ano passado. Já no acumulado dos últimos 12 meses até março deste ano, o setor registrou concessões de R$ 160,8 bilhões, o que ainda representa uma queda de 13,5% em relação aos 12 meses encerrados em março do ano passado.

O levantamento da Abecip analisa apenas as linhas de crédito que contam com recursos originados na caderneta de poupança, usadas principalmente para financiar a compra e a construção de moradias destinados ao público de classe média e alta, com imóveis geralmente acima de R$ 600 mil.

A pesquisa não considera financiamentos com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), usado para abastecer a comercialização de unidades dentro do Minha Casa Minha Vida, com imóveis abaixo de R$ 600 mil.

A associação também passou a divulgar os empréstimos que usam recursos livres dos bancos. Em março, foram R$ 2,01 bilhões, alta de 47,7% em relação a fevereiro e crescimento de 19,7% perante o mesmo mês do ano passado. No primeiro trimestre, essas operações somaram R$ 5,64 bilhões, aumento de 5,9% na comparação anual.

Ranking dos bancos

A Caixa Econômica Federal liderou a concessão de credito imobiliário com recursos da poupança no primeiro trimestre. O banco estatal desembolsou R$ 21,4 bilhões, salto de 68,5% em relação ao mesmo período do ano passado.

Em segundo lugar apareceu o Itaú Unibanco (ITUB4), com R$ 10,2 bilhões, recuo de 5,5% no período; o Bradesco (BBDC4) foi a R$ 6,7 bilhões, retração de 20,2%; o Santander (SANB11) contratou R$ 3 bilhões, aumento de 15,4%; enquanto o BRB, Banco do Brasília, (BSLI4) fez R$ 647 milhões, recuo de 51%. O Banco do Brasil (BBAS3), por sua vez, desembolsou R$ 175 milhões, queda de 89%, a maior baixa do setor.


Ver online: Estadão e|investidor