O terreno dos antigos estúdios da produtora CasaBlanca, no Cosme Velho, pode estar com os dias contados. A ampla área verde, vizinha à histórica estação do Trem do Corcovado, anda atraindo a atenção do mercado imobiliário, que estuda a compra do espaço para erguer um empreendimento residencial. Nesta segunda, inclusive, o local recebeu a visita de representantes de uma incorporadora, que realizaram uma espécie de vistoria no terreno.
Conhecido por abrigar enormes antenas parabólicas da antiga produtora, o imóvel também guarda um importante capítulo da história do Rio. É ali que fica a capela onde Machado de Assis se casou com Carolina Augusta Xavier de Novais, em 1869. Morador do Cosme Velho, o escritor vivia nas proximidades. A movimentação no terreno voltou a preocupar moradores, que temem impactos na área.
Além da capela, o terreno preserva uma extensa área arborizada, com espécies de grande porte, entre elas palmeiras imperiais. Diante das especulações sobre um possível empreendimento, foram enviados ofícios ao Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac), ao Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH) e ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), pedindo atenção ao futuro da área.
A discussão também chegou à Alerj. A deputada Dani Balbi apresentou um projeto de lei que cria a Política Estadual de Preservação do Patrimônio Histórico Literário do Rio de Janeiro. A proposta prevê um cadastro oficial de imóveis, acervos e espaços ligados à memória de escritores fluminenses e estabelece mecanismos para evitar descaracterizações e demolições sem análise dos órgãos de preservação.
Conhecido como o “Bruxo do Cosme Velho”, Machado de Assis viveu por cerca de 25 anos em um chalé na Rua Cosme Velho, onde escreveu parte significativa de sua obra. A residência foi demolida em 1939, ano do centenário de nascimento do escritor, para dar lugar a uma mansão, que também acabou derrubada no fim da década de 1980 para a construção de um edifício.