A Kone Oyj concordou em comprar a rival alemã TK Elevator, antiga ThyssenKrupp Elevadores, por € 29,4 bilhões (US$ 34,4 bilhões), incluindo dívidas, em um acordo que transforma o mercado global de elevadores e aumenta a pressão sobre seus concorrentes. Em um comunicado divulgado nesta quarta-feira, a empresa finlandesa anunciou que o acordo inclui dinheiro e ações para a TK Elevator, que é de propriedade da Advent e da Cinven.
Trata-se de uma das maiores saídas de capital privado já realizadas na Europa e o maior negócio da história da Finlândia, praticamente dobrando o valor de mercado da Kone, de cerca de € 30 bilhões (US$ 35,1 bilhões), e colocando-a à frente de concorrentes como a Otis Worldwide, dos EUA, e a Schindler Holding AG, da Suíça.
A Kone tem interesse na TK Elevator há anos. A empresa não teve sucesso em uma tentativa anterior de comprar o negócio em 2020, quando se associou à CVC Capital Partners Plc, mas acabou sendo superada pela Advent e pela Cinven.
O acordo proporcionará à Kone uma maior exposição ao mercado dos EUA, onde a TK Elevator tem uma presença consolidada na instalação e manutenção de elevadores. A Kone tem uma presença maior na Ásia, de onde atualmente obtém cerca de 35% de sua receita.
Philippe Delorme, presidente e diretor-executivo da Kone, afirmou que a aquisição irá acelerar a “mudança estratégica para serviços e modernização” da empresa.
A transação, no entanto, pode enfrentar obstáculos antitruste, e a Kone talvez tenha que considerar a venda de ativos para obter a aprovação dos reguladores, com executivos estimando que esse processo pode levar até 18 meses.
— Trabalhamos muito e estamos confiantes de que a transação receberá todas as aprovações regulatórias necessárias, preservando ao mesmo tempo a lógica estratégica da combinação — disse Delorme em uma teleconferência.— Estamos preparados para trabalhar de forma construtiva com os reguladores para garantir total conformidade.
Ele se recusou a fornecer detalhes ao ser questionado por analistas e repórteres, mas afirmou que, desta vez, a Kone tem “um entendimento muito melhor” de seu alvo, após ter trabalhado de perto com os vendedores.
— Estamos confiantes porque sabemos exatamente o que precisa ser feito. Estamos alinhados com os líderes do outro lado, com respeito e um bom espírito para fazer as coisas funcionarem juntos — acrescentou Delorme.
A nova empresa se chamará Kone, mas as marcas utilizadas variarão de acordo com o país, contou Delorme.
O acionista majoritário da Kone, o bilionário Antti Herlin, continuará a controlar a empresa com mais de 50% dos direitos de voto.
Delorme liderará o grupo combinado, que terá sede na Finlândia e será quase o dobro do tamanho atual da Kone. A empresa terá mais de 100 mil funcionários em cerca de 100 países e deverá gerar vendas anuais de aproximadamente € 20,5 bilhões (cerca de US$ 24 bilhões).